‘Para mim e para uma geração inteira, a internet é a possibilidade de existir no mercado’, diz O Teatro Mágico

14 10 2009

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Fundado em 2003, O Teatro Mágico é um conjunto independente até hoje: nunca assinou com gravadora e se tornou conhecido pela rede. O grupo de Osasco já lançou dois CDs e um DVD, produzidos pela própria banda, e vendeu cerca de 85 mil cópias (os álbuns são sempre vendidos a preços entre R$ 5 e R$ 15). O Teatro disponibiliza suas músicas (de graça) no site da Trama Virtual, mantém um site que tem uma loja com camisetas e itens para os fãs, além de um perfil no MySpace, no Twiiter e no YouTube. A trupe, que têm acrobatas, palhaços, e claro, músicos, foi nossa décima quinta entrevistada.

O Teatro Mágico | Parque da Uva

*foto de flickr.com/alexandrechang

Para mim e para uma geração inteira de músicos, atores, artistas plásticos, produtores culturais a internet é a possibilidade de a gente existir no mercado. Até então, a gente precisava do bom humor de alguém de uma rádio, da televisão para colocar você alguns minutos no meio de uma programação furada. Na verdade, a internet é uma maneira democrática de tornar acessível os bens culturais a todas as pessoas e isso só traz benefícios para quem é músico a alcançar outros patamares, outro público e muitas vezes a gente jamais conseguiria”, disse Fernando Anitelli em entrevista por telefone.

O ser humano é assim, ele compartilha coisas que ele acha interessante, conceitos novos, isso é natural. Agora querem criminalizar esse hábito, isso não faz nenhum sentido, isso é incoerente. Então, para muitos autores novos a internet passou a ser um campo onde você pode minimamente gravar as idéias do seu trabalho, pode montar seu blog, pode ter sua biblioteca de fotos, de vídeos, tudo isso de maneira gratuita. Hoje, o artista tem que aprender a ser o gestor da sua própria obra, tem que parar com esta coisa de que a gravadora vai aparecer com um sapatinho de cristal e vai colocar o cara em um programa dominical para fazer sucesso. Isso não existe. O artista tem que trabalhar diariamente com seu público para fazer um trabalho com bom conteúdo, para ter o que colocar, o que falar, o que debater“.

“A gente está encabeçando um movimento de MPB, que é um movimento de Música Para Baixar e que propõe uma flexibilização na questão dos direitos autorais, mas o autor não perde o direito autoral dele. A gente tem que brigar para que ninguém seja taxado para ouvir uma música, inclusive eu sou taxado para tocar a minha música. Porque hoje, o ECAD multa O Teatro Mágico se não avisarmos com 15 dias ou 1 mês de antecedência onde vamos vai estar e quais músicas vamos tocar. Então, se o público pede um bis de uma música que eu não classifiquei, se eu tocar estou cometendo um crime. Quer dizer, um crime comigo mesmo porque eu estou tocando minha própria música. Isso é um absurdo, uma postura equivocada das instituições que se traduzem como defensoras dos músicos e da produção cultural no país. A gente quer ter a chance de debater e formar e informar novos consumidores da música, novos produtores de cultura, é isso”.

“Eu já fiz parte de uma gravadora, há uns 10 anos e caí no conto do vigário porque disseram que eu poderia gravar meu material e minha música tocaria nas rádios, o que não era aquilo. Quando a gente estava gravando a oitava música, o dono da gravadora veio e falou: ‘grava tudo agora em formato de forró, que a moda é essa’. Eles estavam preocupados com o dinheiro, só isso. Enquanto no final da ponta tinha alguém preocupado em conceber uma música, uma experimentação traduzidas com poesias, arranjos e musicalidade. Então, hoje o músico pode ter muito mais liberdade no seu trabalho, muito mais autonomia na concepção das suas coisas, na divulgação, ele é capaz de conhecer seu público, criar comunidades para isso”.

Quem cuida do artista é o próprio público. O maior tesouro do artista é o público. Nos dias atuais, como sempre deveria ter sido, o artista tem que ficar frente a frente com o público. Tem que conversar e fazer o trabalho de formiguinha. Até hoje quando O Teatro Mágico vai a alguma cidade, a gente conversa com uma rádioweb, vai na rádio de faculdade, fala com fanzine, com comunidade local, com a Globo, com o SBT. A gente também não pode deixar de se articular nos meios, nas mídias já convencionais. Até porque são concessões que o estado fornece, ou seja, de uma certa maneira isso tudo já é nosso e deveria ser trabalhado para o público, mas não é isso que acontece”.

“[a troca de arquivos não é pirataria] O fã não é pirata. A música é livre, não é caridade, não é doação, é acesso aos bens culturais. A pirataria é pegar o seu trabalho e revender por um preço menor e aí a sacanagem começa. O Teatro Mágico tem sua música livre na internet, mas vende CD por R$ 5 (com um encarte melhorado por R$ 10) e o DVD por R$ 15. E a gente tem a prova que as pessoas baixam de graça na internet e quando vão no show compram o material, eles sabem que o músico precisa daquilo. Além do que, aquilo não está sendo empurrado goela abaixo para ele. Fã é o divulgador, o co-produtor que vai sempre nos ajudar num momento difícil. É o público que vai dar sobrevida para o artista. A gente tem que valorizar justamente essa ponta da cadeia produtiva e não a gravadora que tem um monte de dinheiro e está interessada em fazer mais dinheiro”.

“A música não pode ser só um produto, ela é um presente de celebração, ela é algo muito mais mágico e imaterial que estão imaginando. Então, tratar a música como um pedaço de cadeira, que é um objeto que você usa, gasta e aquilo morre, está equivocado porque quanto mais se ouve a música, mais ela se torna famosa. O cara que trabalhava fazendo o marketing do nazismo disse que uma mentira contada mil vezes se torna uma verdade. Num paralelo com a música, uma música ruim tocada mil vezes se torna um sucesso. Você acaba acreditando que o que tem de cultura no nosso país é isso que estão mostrando. Então a gente tem que parar com essa comodidade de achar que o que é colocado para a gente é o que nos resta, o que nos sobra, porque não é isso”.

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‘Se o ‘Tapa na Pantera’ tivesse passado na TV eu ia responder a ação judicial’, diz cineasta Esmir Filho

28 09 2009

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Esmir Filho é um dos realizadores de ‘Tapa na Pantera’, vídeo que estourou no YouTube em 2006. O cineasta, formado na FAAP em 2004, já havia feito outros trabalhos, mas foi este curta engraçado que o levou a popularidade (e o vídeo não foi colocado na rede por Esmir). Antes deste vídeo, já tinha recebido prêmio de melhor filme no Festival de Cinema de Kiev, na Ucrânia, e de Huelva, na Espanha, com o curta “Ímpar Par“. Além disso, o também curta “Alguma Coisa Assim” recebeu o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes de 2006. No momento, Esmir prepara o lançamento do longa ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’ em que trata do que é crescer em um mundo em que o virtual e o real já não têm mais fronteiras definidas. O filme tem estreia prevista para fevereiro. O cineasta mantém uma conta no Twitter e nos contou que a internet foi importante para se tornar conhecido por pessoas fora do circuito de cinema e que a rede entrou na sua vida “sem ser convidada”. Esmir foi nosso décimo entrevistado e conversou conosco pessoalmente na produtora em que trabalha.

Esmir Filho
* foto de divulgação

“Ela [a internet] entrou sem ser convidada e aos poucos virou um meio de contato para mandar email para festivais de cinema, por exemplo, porque antes era carta. O próprio ‘Tapa na Pantera’ me fez olhar para o YouTube, assim como muita gente. Quando o ‘Tapa’ aconteceu, e foi um fenômeno espontâneo cultural, eu fiquei assustado pela forma como ele se disseminou e como ele apresentou o YouTube para o Brasil. Muita gente ficou conhecendo o site por causa do vídeo, eu inclusive. E de novo a internet entrou na minha vida sem ser convidada. E daí eu percebi que a internet é um terreno novo. É muito espontâneo. É uma coisa que a gente nunca fez, porque dentro da TV, do cinema, a gente sempre tentou trazer assuntos que as pessoas gostam por causa do Ibope. Na internet não tem nada disso. Quando eu achava que algo ia fazer sucesso, ninguém olhava e quando eu achava que não ia, bombava por algum motivo. É louco. Você joga e depende muito de quem pega e como vão ver aquilo. É muito incerto”.

“A mídia adora frases, títulos e coisas… Não só isso me ajudou. Mas quando eles souberam do ‘Tapa na Pantera’, eles souberam que o Esmir tinha acabado de ganhar o Festival de Cannes por melhor roteiro e que o Esmir estava com um projeto de longa e que estava fazendo outro curta. Eles iam saber quem era eu. E isso foi legal no ‘Tapa na Pantera’. Não foi porque me lançou, mas porque souberam quem eu era. Se eu tivesse só um vídeo, eu não poderia ser considerado cineasta, mas eu fiz cinema, fiz meus curtas e meu projeto de carreira até chegar no meu longa. Mas tem gente que acha que eu fiz ‘Tapa na Pantera’ e já estou lançando um longa”.

Eu acho que a pirataria não é uma questão, é um fato. Ninguém tem que lutar contra. A internet está aí, ninguém vai fechar a internet ou o YouTube. Não existe isso. Ainda tem muita gente indo no cinema, eu não sei se a bilheteria tem baixado por causa disso, mas a pirataria já é um fato. O que me incomoda muito é projeção digital de baixa qualidade e cinemas de qualidade colocam projeção digital porque é mais barato. Daí sim eu prefiro baixar, para ver numa qualidade daquela, eu prefiro ver em casa. Vão falar que isso é coisa de cineasta chato falando, mas cara, eu vejo amigos meus, leigos, que nem são ligados com cinema, e saem do filme falando que a fotografia estava escura. Eu falo: ‘Deus, o público sabe que é ruim’. Isso me deixa puto. Pirataria é fato, o filme vai ser disponibizado na internet. E não vou ser eu quem vai colocar”.

“Eu quero comunicar, não estou pensando em dinheiro e público, eu tô pensando em tocar pessoas e atingi-las. Sou artista neste aspecto, não quero ganhar dinheiro, para ganhar dinheiro eu faço outras coisas. Não se vive de cinema no Brasil, apesar que eu gostaria que se vivesse. Sabe aqueles filmes que o cara fez com R$ 5 mil? Não se pagou ninguém, isso faz com os profissionais não ganhem, e eles deveriam ganhar e também faz com que as pessoas façam outras coisas para ter fonte de renda, como publicidade que eu faço, principalmente. Queria muito que cinema fosse minha principal fonte de renda e eu não precisasse fazer nada. É isso que é meu ponto. Juro que eu não sei se a pirataria ajuda ou atrapalha nisso tudo, tem uma lista de vantagens e desvantagens”.

“Em ‘2001’, do Kubric, o cara previu muita coisa: o computador, etc. Mas ele não previu o poder descentralizado, porque no filme é aquilo, a centralização. O Kubric não previu a internet e poderia ser aquele mundo, se não houvesse a rede. Ele previu que o computador ia tomar conta do ser humano, mas ele não previu que eu poderia acessar tudo o que eu quisesse e que eu poderia chegar a qualquer informação. Ele achava ainda que o poder estava centralizado numa cúpula, que era como era na época. E faz sentiodo, não é uma crítica. Acho interessante como o mundo prega peças na gente, na nossa cabeça. Se o ‘Tapa na Pantera’ tivesse passado na TV eu ia estar respondendo a ação judicial, o louco é que foi um território tão livre, que ninguém veio me procurar para isso, nem a Maria Alice.Tem gente que defende que o vídeo é apologia às drogas e tem gente que fala que é uma campanha anti-droga. Mas que veículo é tão potente, quanto a TV em outra época, que fez com que eu colocasse uma polêmica, espirituosa, e não gerasse uma aversão, uma censura?”.

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‘Nunca foi tão difícil aparecer no meio de tanta gente com acesso igualmente fácil ao público, digamos, do planeta’, diz o multimídia Nelson Motta

16 09 2009

Nelson Motta

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Nelson Motta é escritor, produtor musical e jornalista. Em 2007, publicou o livro e também em audiobook, ‘Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia’ (da editora Objetiva) com a trajetória e história do cantor. Motta também é autor das músicas ‘Dancing Days’ (com Ruban Barra) e ‘Como uma Onda’ (com Lulu Santos) e produziu discos de cantoras como Elis Regina, Gal Costa, Marisa Monte e Daniela Mercury. Atualmente, mantém um site em que disponibiliza seus trabalhos mais recentes e outros mais antigos, além de entrevistas, programas de rádio, músicas. Motta foi nosso quinto entrevistado.

Nunca na história desse país e desse planeta foi tão fácil e tão barato gravar um disco. E nunca na história das comunicações, da publicidade e do marketing foi tão fácil e barato mostrar o seu trabalho. Por isso mesmo, pelo volume da oferta, nunca foi tão difícil aparecer no meio de tanta gente com acesso igualmente fácil ao público, digamos, do planeta. O que acabou foi aquela farsa dos pobres consumidores comprarem um CD inteiro e caro só por causa de uma ou duas músicas. Já foi tarde. O mercado musical está se transformando – e crescendo. Mas não na velha indústria do disco, de tanta má e justificada fama, esta está nos estertores. Mas quem tem talento e um mínimo de tecnologia está na praça. O boca a boca, o mouse a mouse, o msn ao msn, é a mais poderosa ferramenta de promoção de um disco ou um artistas. [A internet] Não trouxe nada de ruim, já que a produção maciça de lixo cultural é inevitável em qualquer época, agora o volume é maior e a única necessidade é uma lata de lixo maior, faz parte da sociedade de consumo. Como a produção independente é muito maior, são maiores as chances de boas coisas acontecerem”, disse em entrevista feita por email.

Não considero troca de arquivos pela internet pirataria. A física, de CD, claro que prejudica todo mundo envolvido naquele disco, todo mundo trabalhando de graça para um vagabundo. Como compositor e escritor aceito que façam o que quiserem com minhas músicas e livros, desde que ninguém esteja ganhando dinheiro com isso. Se houver alguém ganhando algum, eu quero o meu! Em países civilizados, a pirataria material praticamente não existe, onde há tradição de se pagar pelo que se consome, em muitos lugares, Inglaterra, Japão, Suécia, o download pago está superando a venda de discos. Já no Brasil, com nossa tradição de desrespeito ao alheio, nossa mania de levar vantagem, nosso bordão de justificar tudo pelos baixos salários”.

* foto Dulce Helfer/AgênciaRBS;

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‘A pirataria não deve assustar ninguém’, diz escritor Laurentino Gomes

15 09 2009

laurentinogomes

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Laurentino Gomes é jornalista com trinta anos de profissão e autor do livro ‘1808’ (Editora Planeta), que narra de forma jornalística a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, há exatos 201 anos. O livro lançado em 2007 se tornou um fenômeno com mais de 500 mil exemplares vendidos no Brasil e com versões em diferentes formatos, como audiobook, livro juvenil e edição de colecionador (com direito a documentário narrado pelo autor). E ainda ganhou diversos prêmios, como o tradicional Jabuti de livro do ano, na categoria não-ficção.

Atualmente, o autor prepara um novo livro ‘1822’, dessa vez sobre a Independência do Brasil. Aos interessados, ele conta as suas descobertas e pesquisas para o novo projeto em um perfil no Twitter. Além disso, mantém um site pessoal, repleto de informações para os interessados no seu trabalho. Ele foi nosso quarto entrevistado.

Uma das características mais curiosas do mundo atual é que toda pessoa com acesso a um computador se julga no direito – e, às vezes, no dever – de ser produtora de conteúdo. Pela contagem mais recente, havia cinco bilhões de páginas na Internet, acessadas por um quinto da população mundial. Acho que o grande desafio para jornalistas, escritores, historiadores, professores e outros profissionais da área de cultura e educação, daqui para frente, é pensar multimídia. Temos de permanentemente testar novos formatos, especialmente na área digital, porque o mundo, embora esteja se globalizando, também está cada vez mais, se constituindo em comunidades de interesse, como se fosse uma grande colméia que consome informação, cultura e entretenimento de forma diferenciada no tempo, no espaço e no formato”, escreveu Laurentino, em entrevista por email.

A pirataria não deve assustar ninguém. Meu livro “1808” já foi todo pirateado na internet, tanto no formato áudio como texto. Não vejo problema algum. É até uma forma de chamar a atenção de leitores que, provavelmente, não estariam dispostos a comprar o livro ou cd de mp3 nas lojas”, afirmou.

A democratização da informação e do conhecimento é um fato inegável no Brasil e no mundo. Ela é resultado do aumento do nível de escolaridade e das novas tecnologias, como a internet, que facilitam o acesso das pessoas à informação. Mas acho que, no Brasil, ainda temos um sério problema de linguagem, especialmente nos livros e na produção acadêmica. Talvez, os geradores e detentores do conhecimento estejam usando uma linguagem pedante ou excessivamente técnica, que não chega às ruas. Isso é um problema porque reduz o conhecimento a um domínio de elite. É uma elite intelectual, que produz e codifica o conhecimento numa linguagem que só ela decifra e usufrui. Num país como o Brasil, com índice de escolaridade muito aquém do desejável e um alto número de analfabetos funcionais, nós – escritores, professores, jornalistas, historiadores e outros intelectuais – temos obrigação de sermos acessíveis na linguagem. Mais até do que se estivéssemos trabalhando ou escrevendo na Inglaterra, no Japão ou nos Estados Unidos”, conclui.

Leia também:
Será que o futuro do livro é multimídia? – Link Estadão


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