‘Nunca foi tão difícil aparecer no meio de tanta gente com acesso igualmente fácil ao público, digamos, do planeta’, diz o multimídia Nelson Motta

16 09 2009

Nelson Motta

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Nelson Motta é escritor, produtor musical e jornalista. Em 2007, publicou o livro e também em audiobook, ‘Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia’ (da editora Objetiva) com a trajetória e história do cantor. Motta também é autor das músicas ‘Dancing Days’ (com Ruban Barra) e ‘Como uma Onda’ (com Lulu Santos) e produziu discos de cantoras como Elis Regina, Gal Costa, Marisa Monte e Daniela Mercury. Atualmente, mantém um site em que disponibiliza seus trabalhos mais recentes e outros mais antigos, além de entrevistas, programas de rádio, músicas. Motta foi nosso quinto entrevistado.

Nunca na história desse país e desse planeta foi tão fácil e tão barato gravar um disco. E nunca na história das comunicações, da publicidade e do marketing foi tão fácil e barato mostrar o seu trabalho. Por isso mesmo, pelo volume da oferta, nunca foi tão difícil aparecer no meio de tanta gente com acesso igualmente fácil ao público, digamos, do planeta. O que acabou foi aquela farsa dos pobres consumidores comprarem um CD inteiro e caro só por causa de uma ou duas músicas. Já foi tarde. O mercado musical está se transformando – e crescendo. Mas não na velha indústria do disco, de tanta má e justificada fama, esta está nos estertores. Mas quem tem talento e um mínimo de tecnologia está na praça. O boca a boca, o mouse a mouse, o msn ao msn, é a mais poderosa ferramenta de promoção de um disco ou um artistas. [A internet] Não trouxe nada de ruim, já que a produção maciça de lixo cultural é inevitável em qualquer época, agora o volume é maior e a única necessidade é uma lata de lixo maior, faz parte da sociedade de consumo. Como a produção independente é muito maior, são maiores as chances de boas coisas acontecerem”, disse em entrevista feita por email.

Não considero troca de arquivos pela internet pirataria. A física, de CD, claro que prejudica todo mundo envolvido naquele disco, todo mundo trabalhando de graça para um vagabundo. Como compositor e escritor aceito que façam o que quiserem com minhas músicas e livros, desde que ninguém esteja ganhando dinheiro com isso. Se houver alguém ganhando algum, eu quero o meu! Em países civilizados, a pirataria material praticamente não existe, onde há tradição de se pagar pelo que se consome, em muitos lugares, Inglaterra, Japão, Suécia, o download pago está superando a venda de discos. Já no Brasil, com nossa tradição de desrespeito ao alheio, nossa mania de levar vantagem, nosso bordão de justificar tudo pelos baixos salários”.

* foto Dulce Helfer/AgênciaRBS;

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