‘A pirataria não deve assustar ninguém’, diz escritor Laurentino Gomes

15 09 2009

laurentinogomes

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Laurentino Gomes é jornalista com trinta anos de profissão e autor do livro ‘1808’ (Editora Planeta), que narra de forma jornalística a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, há exatos 201 anos. O livro lançado em 2007 se tornou um fenômeno com mais de 500 mil exemplares vendidos no Brasil e com versões em diferentes formatos, como audiobook, livro juvenil e edição de colecionador (com direito a documentário narrado pelo autor). E ainda ganhou diversos prêmios, como o tradicional Jabuti de livro do ano, na categoria não-ficção.

Atualmente, o autor prepara um novo livro ‘1822’, dessa vez sobre a Independência do Brasil. Aos interessados, ele conta as suas descobertas e pesquisas para o novo projeto em um perfil no Twitter. Além disso, mantém um site pessoal, repleto de informações para os interessados no seu trabalho. Ele foi nosso quarto entrevistado.

Uma das características mais curiosas do mundo atual é que toda pessoa com acesso a um computador se julga no direito – e, às vezes, no dever – de ser produtora de conteúdo. Pela contagem mais recente, havia cinco bilhões de páginas na Internet, acessadas por um quinto da população mundial. Acho que o grande desafio para jornalistas, escritores, historiadores, professores e outros profissionais da área de cultura e educação, daqui para frente, é pensar multimídia. Temos de permanentemente testar novos formatos, especialmente na área digital, porque o mundo, embora esteja se globalizando, também está cada vez mais, se constituindo em comunidades de interesse, como se fosse uma grande colméia que consome informação, cultura e entretenimento de forma diferenciada no tempo, no espaço e no formato”, escreveu Laurentino, em entrevista por email.

A pirataria não deve assustar ninguém. Meu livro “1808” já foi todo pirateado na internet, tanto no formato áudio como texto. Não vejo problema algum. É até uma forma de chamar a atenção de leitores que, provavelmente, não estariam dispostos a comprar o livro ou cd de mp3 nas lojas”, afirmou.

A democratização da informação e do conhecimento é um fato inegável no Brasil e no mundo. Ela é resultado do aumento do nível de escolaridade e das novas tecnologias, como a internet, que facilitam o acesso das pessoas à informação. Mas acho que, no Brasil, ainda temos um sério problema de linguagem, especialmente nos livros e na produção acadêmica. Talvez, os geradores e detentores do conhecimento estejam usando uma linguagem pedante ou excessivamente técnica, que não chega às ruas. Isso é um problema porque reduz o conhecimento a um domínio de elite. É uma elite intelectual, que produz e codifica o conhecimento numa linguagem que só ela decifra e usufrui. Num país como o Brasil, com índice de escolaridade muito aquém do desejável e um alto número de analfabetos funcionais, nós – escritores, professores, jornalistas, historiadores e outros intelectuais – temos obrigação de sermos acessíveis na linguagem. Mais até do que se estivéssemos trabalhando ou escrevendo na Inglaterra, no Japão ou nos Estados Unidos”, conclui.

Leia também:
Será que o futuro do livro é multimídia? – Link Estadão


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