‘Download legal está com dias contados. Pessoas não pagam pelo que é ofertado de graça’, diz John Ulhoa do Pato Fu

21 12 2009

Por @brunogalo e @livia_wachowiak

John Ulhoa é músico, guitarrista e líder da banda mineira Pato Fu. Além disso, Ulhoa é produtor musical, com trabalhos com Zélia Duncan, Arnaldo Antunes, entre outros. O Pato Fu lançou seu último álbum, ‘Daqui pro Futuro’, em agosto de 2007 de forma independente. A banda foi uma das primeiras a ter site e disponibilizar suas músicas para download legal e gratuito em MP3. Hoje, eles cuidam pessoalmente do site da banda e até criaram um outro endereço, o Pato Fu Extra!Extra!, para divulgar e também oferecer boa parte do conteúdo do último DVD da banda lançado neste ano. Em entrevista, por e-mail, John se revela bastante consciente em relação aos desafios e possibilidades do futuro da música na era digital e diz: “prefiro tentar me adaptar e aperfeiçoar esses novos meios do que lutar contra eles, isso seria perda de tempo”. John Ulhoa foi nosso vigésimo primeiro entrevistado.

“O encolhimento das gravadoras afetou todos os artistas, contratados ou não. Os contratados não vivem mais a época de ouro com grandes orçamentos de discos, videoclipes e coisas assim. E os não contratados buscam alternativas de sobrevivência e exposição fora de um mainstream cada vez mais reduzido”, pondera.

“Enxergo como algo irreversível (o compartilhamento de arquivos na internet), vamos ter que torná-lo positivo de alguma maneira, para artistas e usuários. Em minha opinião, até mesmo a venda de músicas em lojas de download legal está com os dias contados, as pessoas não pagam por aquilo que é ofertado de graça logo ali ao lado. Só consigo enxergar um futuro bom para os dois lados no streaming de música. Liberado, sem custo para o ouvinte, mas remunerado para os artistas pelos anunciantes dos sites. Exatamente como funciona uma rádio. Em breve, a tecnologia vai fazer as pessoas pararem de fazer download de músicas, vão simplesmente ouvir online. Se tudo isso estiver ali nos grandes portais, quem vai perder tempo procurando torrents?”, argumenta.

E continua: “Acho que a inocência dessa pirataria acaba de vez quando as pessoas começam a vender e têm lucro com o produto “ilegal”, deixa de ser uma troca entre amigos. Os artistas perdem (com a pirataria), mesmo que haja certa euforia independente com todas as possibilidades de divulgação, o fato é que a capacidade que a indústria fonográfica tinha, com todos seus defeitos, de lançar e sustentar novos artistas ainda não foi substituído e está longe de ser”.

“O resultado é que temos milhões de myspaces com artistas novos, mas quantos desses têm carreiras decentes na “vida real”? Muito menos que nos anos 90. É chato, mas o meio “indie-hit-de-internet” ainda não paga a conta do aluguel sem fazer a curva para o mainstream de tv e rádio, pelo menos aqui no Brasil. E, as gravadoras estão num ponto que não contratam quase ninguém. Mas prefiro tentar me adaptar e aperfeiçoar esses novos meios do que lutar contra eles, isso seria perda de tempo”, conclui.

Observação: Está entrevista foi originalmente publicada de forma integral no blog do caderno Link do Estadão em 06 de outubro de 2009, como parte de uma série de entrevistas realizadas por Bruno Galo (que mantém este projeto aqui em parceria com Livia Wachowiak) sobre o presente e o futuro da música na era digital. Apesar disso, está entrevista foi inicialmente pensada para fazer parte deste projeto. Por isso, enfim, ela está sendo publicada. Em 21 de outubro, John publicou o post “Aqui, já num era pra Internet tá funcionando?” em seu blog, que, de alguma forma, complementa o que ele diz nesta entrevista.

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