‘A lei de direito autoral privilegia o intermediário, não o artista’, diz Sérgio Branco

23 10 2009

Por @brunogalo e @livia_wachowiak

Sérgio Branco é advogado especializado em propriedade intelectual. Dá aulas na FGV do Rio de Janeiro e recentemente escreveu o livro ‘Direitos autorais’, que trata o conceito de direito autoral e de pirataria desde seus primórdios até os dias de hoje. Sérgio foi nosso vigésimo entrevistado.

Sérgio Branco

* divulgação

Eu tinha um professor que dizia que crise existe quando o velho não existe mais e o novo não existe ainda. E eu fico pensando sobre isso e acho que a gente vive mesmo um momento de crise no direito autoral atual porque as leis que existiam antes não são mais capazes de dar conta de todos problemas que vieram com a internet. Hoje em dia, a lei de direito autoral privilegia o intermediário, não o artista“, disse em entrevista feita por telefone.

“Isso tem sido muito, muito discutido [lei para enquadrar troca de arquivos como crime]. Há quem queira ver no código penal atual, no artigo 184, uma criminalização para este tipo de conduta. Eu acho esse tipo de interpretação absurda porque se a gente entende que compartilhamento de arquivos é uma conduta ilícita no âmbito penal, então o Brasil inteiro está cometendo crime. É absurdo a gente achar que todo mundo que compartilha arquivo merece ser processado criminalmente. Mas, há quem defenda isso”.

Eu acho que a gente está vivendo uma onda de recrudescimento, de tentativa de tornar os direitos autorais mais controlados e não mais flexíveis. É só ver o prazo [de duração dos direitos autorais]: ao longo do século XX, os EUA o aumentou inúmeras vezes. Pela Convenção de Berna , o prazo padrão precisa ser de pelo menos 50 anos depois da morte do autor”. Hoje, o Brasil dá 70 anos, a Comunidade Europeia dá 70, o México dá 100 anos. É regra geral: a vida do autor mais este período, exceto para obras fotográficas e audiovisuais”.

“A Lei de Direitos Autorais de 1973, que vigorou até 1998, permitia uma cópia integral de cada obra. Então quando a gente copiava um LP em fita cassete, podia fazer isso, não tinha problema nenhum. Até 1998 isso foi permitido e não havia maiores questionamentos sobre direito autoral porque a internet não era como é hoje. Era muito menos dinâmica, muito menos comunitária, ou passível de compartilhamento informal. A rede traz o direito autoral para o centro da discussão e a lei dá um passo para trás e proíbe a cópia integral, permitindo só a cópia de pequenos trechos e, paralelamente a isso, a tecnologia permite cópias cada vez melhores, com mais facilidades, cada vez mais baratas. E aí sim o direito autoral se torna importante porque diante da internet todos nós copiamos, modificamos, publicamos, divulgamos nossos textos, nossas fotos, nossos filmes, nossas músicas. O direito autoral, que era um direito marginal, passa a ser um direito central na vida de todo mundo”.

“A internet acaba gerando dois efeitos opostos: como é muito fácil copiar, a sociedade quer ter acesso, mas os titulares de direito querem proteger os produtos cada vez mais. Para isso, eles começam a processar, a ideia de criar uma política do medo, de repressão: processar para dar exemplo. E já se viu que nos EUA não adiantou nada, podia processar quem fosse, as pessoas continuaram baixando música, copiando tudo, não mudou o comportamento da sociedade e acho muito difícil mudar. Acho que o embate vai continuar existindo”.

“Hoje nós, sem dúvida, temos um problema legislativo e também um administrativo, há um problema de modelo de negócio. E mudar uma lei é muito mais difícil que mudar o modelo de negócio. A lei precisa do Congresso disposto a mudar, precisa enfrentar lobby da indústria editorial, cinematográfica, musical, então mudar uma lei é muito difícil. É mais fácil mudar o modelo de negócio. Então, nós tivemos uma crise dos dois lados só que a indústria conseguiria resolver um deles, que é o que está ao alcance dela”.

O direito autoral existe, teoricamente, para financiar o autor, para remunerá-lo e gerar um incentivo para ele continuar criando. O prazo de 70 anos não serve para estimular o autor porque ele terá morrido quando esse período começar a valer. Isso, acaba gerando um direito para os herdeiros, que muitas vezes, é um direito mal utilizado porque enquanto a obra não cai em domínio público ninguém pode fazer uso dela. Se os herdeiros se recusam a republicar a obra, por exemplo, ela fica fora do alcance da sociedade. Então é um prazo absurdo que só interessa aos intermediários e não aos autores. Quando aumentaram o prazo do Mickey (os direitos do ratinho venceriam em 1998 e agora vão até 2023) carregaram junto toda a cultura dos anos 30, que entraria em domínio público”. É que não dá para a lei ser específica e dizer: ‘olha, só o Mickey que não vai cair em domínio público’. A lei é abstrata e aí se carrega toda a cultura e, nisso, vai música que está sendo esquecida, película de filme sendo destruída, vai junto uma série de obras que não têm mais valor econômicos, mas que poderiam ser reaproveitadas em outras obras e isso é retirado da sociedade”.

“A internet fez as pessoas repensarem os direitos autorais. Há uma série de dificuldades na aplicação da lei que não haviam antes. Acho que o Creative Commons é uma das possíveis soluções e não é definitiva porque adere ao CC quem quer. De toda forma, acho que a lei vai continuar existindo, mas acho que é preciso repensá-la. Os direitos autorais não morrem, só devem ser repensados. A discussão em torno da lei sempre foi feita, o direito autoral na antiguidade era um, na época da prensa de Gutemberg teve que mudar, no século XX teve que mudar de novo, e agora no século XXI vai ter que mudar outra vez”.

“[o projeto de lei para desconectar usuários] é um absurdo, isso viola a privacidade do consumidor. E o compartilhamento pode ter usos totalmente lícitos. Também não há nenhum estudo que comprove, terminantemente, que o compartilhamento de arquivos é algo prejudicial. Outro problema, pode existir uma finalidade para aquela cópia: é com fim didático? é para dar aula? é para dar aula de quê forma, para quem? usar em asilo? Esses usos não são previstos pela nossa lei, mas se a gente faz uma interpretação em conjunto com outra, a gente pode chegar a essas conclusões. Alguns usos deveriam ser permitidos, então simplesmente desconectar uma pessoa é infringir direitos que essa pessoa tem”.

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‘Tratar o público como bandido foi algo suicida’, diz João Marcello Bôscoli

22 10 2009

Por @brunogalo e @livia_wachowiak

João Marcello Bôscoli é músico, empresário e presidente da Trama, uma empresa de música, nas suas próprias palavras, que disponibiliza canções para baixar ou ouvir por streaming sem nenhum ônus para o internauta. No entanto, o músico recebe pagamento conforme seu trabalho é ouvido (o dinheiro vem de patrôcínio). A Trama tem, entre outras, composições do Cansei de Ser Sexy, Fernanda Porto, Elis Regina e Móveis Coloniais de Acaju. Ele prepara 400 álbuns produzidos pela empresa para ser oferecidos de graça pela internet em 2010. Bôscoli foi nosso décimo nono entrevistado.

João Marcello Bôscoli

* divulgação

“Ganhamos muitas possibilidades [com a internet] porque deixamos de precisar de intermediários para publicar e divulgar nossas obras. Quando publicamos o livro [Cultura Livre, do Lawrence Lessig] do Creative Commons, aprendi mais uma série de coisas e percebi que nossa política de liberar tudo, sem controles de cópias (DRM) estava correta ou mesmo a inclusão de um cd-r virgem no primeiro álbum do Cansei de Ser Sexy eram decisões corretas. Sem a web, estaríamos fritos“, disse em entrevista por email.

“[Processar o Napster foi] Completamente equivocado e irracional. Perderam o passo da história completamente. Tratar o público como bandido foi algo suicida“.

“Nossa receita vem de várias fontes: patrocínio de marcas, editora de música, licenciamento, agenciamento de artistas, vendas de cds, dvds e vinis. Nosso futuro será sempre ligado à música“.

“Logicamente não há fórmulas [para um músico iniciante], mas sem tocar ao vivo regularmente e usar a web como instrumento de promoção, fica muito difícil avançar. E sem público, ou seja, alguém pra ouvir, a música não evolui. E o fã, historicamente tem um papel importante na difusão da obra do seu artista querido“.

“Troca de arquivos não é crime. As leis estão obsoletas, tal qual quando o rádio começou”.

“As gravadoras, naquele modelo tradicional que ficou conhecido, já se foram. Pessoalmente, nunca abri uma gravadora. Quando compramos pesquisas antes de abrir a Trama, já era líquido e certo a obsolescência do formato. Abrimos uma empresa de música. Tanto que primeira compra foi uma mesa de som e montamos os estúdios antes dos escritórios”.

Na área da música, desde o início do século passado, a maior parte ouvida sempre foi de graça e no futuro continuará assim“.

“[estamos de alguma forma vivendo a ‘democratização’ da cultura?] Sim, claro. Nunca foi tão barato produzir música. Além disso, com a web, qualquer pessoa pode publicar sua obra livremente sem perguntar nada pra ninguém. É uma bela época“.

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‘Roubar alguma coisa que não te pertence não é democratizar nada’, diz Marcelo Duarte

21 10 2009

Por @brunogalo e @livia_wachowiak

Marcelo Duarte é jornalista, escritor e autor da famosa série de livros ‘O Guia dos Curiosos’. Duarte já trabalhou em diversos veículos e desde 1999 mantém sua editora, a Panda Books, um blog, entre outras atividades em meios de comunicação. Ele foi nosso décimo oitavo entrevistado.

Marcelo Duarte

*reprodução

“Demos uma pesquisada no mercado e achamos que somos a primeira editora que faz releases eletrônicos e entrevistas com autores. Nós fizemos um canal, dentro do nosso site, com trailers animados dos nossos livros, fazemos entrevistas com nossos autores. Também estamos no Twitter“, disse em entrevista por telefone.

“Hoje, as livrarias virtuais são importantes no país porque há pouquíssimas lojas físicas. É um problema do Brasil que a internet resolveu. Qualquer pessoa pode comprar um livro pela loja virtual”.

“A gente já descobriu autores por internet, já publicamos livros de blogueiros, temos hoje uma facilidade para convidar pessoas para divulgar os livros. Os novos talentos tinham mais dificuldade para encontrar uma editora que têm hoje. Hoje um blog bom, comentado, rapidamente chega aos ouvidos de uma editora. Então, neste ponto acho que foi muito benéfico para os dois lados: se consegue achar gente boa e o cara consegue achar a editora também“.

A primeira grande dificuldade é fazer o primeiro livro. É fazer um trabalho bom, de qualidade para conseguir lançar. Porque daí, se o trabalho é bom mesmo, ele aparece, o autor tem grande possibilidade de fazer carreira. É muita gente acha que tem uma ideia genial ou alguma coisa maravilhosa porque perguntou para o amigo, para o parente, às vezes não tem uma avaliação profissional. Então, quando pega uma editora, uma avaliação profissional, comercial tem gente que fica muito chateado e a gente é muito sincero. Tem que se pensar como negócio, às vezes a gente sabe que o livro é realmente bom, mas comercialmente não tem grande apelo“.

“Muitos que fazem blog dizem: ‘tive tantos acessos, então meu livro vai vender tudo isso’. Não é verdade, às vezes atrapalha. Se a pessoa tem todo o conteúdo à disposição na internet, tem um público cativo, por que as pessoas comprariam para ler as mesmas coisas? A gente tem livro, da Tati Bernardi que é blogueira de sucesso, mas quando fechamos com ela, nós pedimos textos inéditos”.

“Não sei, acho que é uma coisa muito distante ainda [a pirataria atingir os livros] se as pessoas vão ficar baixando livros e lendo na tela. Acho que se esse perigo tiver próximo, vão criar mecanismos para tentar evitá-lo porque isso seria o fim da indústria cultural. Não faz sentido para um escritor fazer um livro, gastar o tempo dele e não ganhar nada com isso. Seria do fim da indústria cultural“.

“Vai ter uma geração que vai se acostumar mais facilmente a esses leitores digitais e vai poder baixar livros para ler naqueles aparelhos, não digo que não. É uma nova forma de instituição, não é o fim da editora. É mais uma forma de distribuição”.

“[a cultura vem sendo democratizada?] Acho que ainda não. Isso é papo para pirata. Roubar alguma coisa que não te pertence não é democratizar nada. Então vai democratizar distribuindo, mas os shows custam R$ 200? Isso não é democratizar, é se apropriar de alguma coisa que não te pertence. Eu acho que é só furto”.

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‘Os efeitos das mudanças na indústria cultural a curto prazo são superestimados e a longo prazo são subestimados’, diz Tiago Dória

15 10 2009

Por @brunogalo e @livia_wachowiak

Tiago Dória é blogueiro e jornalista especializado em assuntos relacionados a tecnologia, cultura e mídia. Desde 2003, mantém um blog, que hoje está hospedado no portal IG. Atualmente, Dória também é integrante do júri do Concurso de Jornalismo da CNN, colunista do Notícias MTV, e pode ser acompanhado pelo Twitter e Vimeo. O jornalista foi nosso décimo sexto entrevistado.

Tiago Dória

“[as mudanças que as indústrias culturais vêm passando são positivas ou negativas?] Depende do ponto de vista. Se você for dono de uma tradicional gravadora, é bem provável que sejam negativas. Se os efeitos serão positivos ou negativos, saberemos somente daqui a 10, 20 anos. Contudo, acredito que o mais importante é ter noção de que os efeitos dessas mudanças a curto prazo são superestimados e a longo prazo são subestimados, sejam eles positivos ou não. Os efeitos a longo prazo dessas mudanças serão bem mais poderosos, pois podem envolver mudanças de percepção em relação a tempo, espaço e comportamento. Vide a energia elétrica. Somente hoje temos noção das mudanças comportamentais que ela provocou. Mudanças a longo prazo que, em sua época, foram subestimadas por pensadores e especialistas”, disse em entrevista por email.

“[qual transformação mais marcante promovida pela era digital na cultura?] Primeira coisa é o barateamento crescente dos custos de produção, armazenamento e processamento dessas mídias. A partir disso vêm diversas transformações. A mais marcante tem sido a chamada era do desmanche, em que os pacotes de conteúdo estão se fragmentando. Um artista não lança mais CDs, mas músicas avulsas, a produção e a própria concepção artística ficam mais atomizadas. Sem contar, o surgimento de novas narrativas, como a transmídia e os newsgames”.

“[analisando o cenário atual, como um artista hoje deve planejar sua carreira]? Acredito que a primeira coisa que ele precisa ter em mente é que está entrando num cenário hipercompetitivo, que já era competitivo, mas se tornou hiper. A digitalização e a posterior distribuição de conteúdo com a internet possibilitaram que mais pessoas publiquem conteúdo e disputem a atenção, o que fez o mercado ficar mais competitivo. Segunda coisa, é aprender a ouvir. Hoje os canais de feedback são bem mais variados e instantâneos. Um artista iniciante, antes de tudo, tem que aprender a ouvir“.

“[como artistas já estabelecidos podem tirar proveito das novas tecnologias? Paulo Coelho e Radiohead são exemplos ou exceções?] O mesmo caso dos novatos. Ter um canal novo de distribuição e uma ferramenta para monitorar a recepção de sua produção. Não acredito que o Radiohead e o Paulo Coelho sejam exceções. Disponibilizar o seu trabalho de graça na web vem se tornando um caminho cada vez mais comum. O trabalho, no caso livros e músicas (gratuitos), servem de isca para vender outros produtos (pagos) do artista, como palestras, shows, merchandising, participação em programas etc. O que tenho como ressalva é em relação ao volume. Artistas menores e menos conhecidos não terão o mesmo volume de downloads de um Radiohead e ou Paulo Coelho. Esses artistas chegaram onde estão apoiados em outro tipo de indústria, mais de massa“.

A atitude de duas pessoas trocarem arquivos na internet não é pirataria, não existe interesse direto econômico. A intenção é trocar conteúdo, conhecimento. Algo que existe desde que o homem é homem. Para mim, pirataria pode ser considerada aquele cara que vende CDs piratas em uma barraca na rua. No primeiro caso, ninguém perde, talvez todos ganhem. No segundo caso, acredito que todos perdem. O problema da pessoa que vende CDs piratas é que o interesse dele não é troca de conhecimento, mas puramente econômico, ganhar dinheiro de forma fácil. Sem contar que junto com a venda de CDs piratas em camelôs vem diversos outros crimes. Até o CD chegar ao camelô, existe toda uma cadeia de corrupção. Enfim, existe uma distância bem grande entre um entusiasta que disponibiliza seus discos favoritos em um blog e um camelô que vende CDs piratas”.

“[o acesso a produtos culturais voltará a ser majoritariamente pago um dia?] Majoritariamente, eu acredito que não. Mas produtos pagos sempre vão sentir, até por que os modelos gratuitos que conhecemos até hoje não dispensam a contrapartida do pago. Por exemplo, você não ganha dinheiro com a venda de CDs, mas ganha com shows, que não deixam de ser um produto cultural”.

“Acredito que o download já seja uma fonte de renda estabelecida para parte da indústria, vide as vendas de música na loja iTunes. Mas é um tipo de fonte que não é capaz de suprir a renda que a venda de discos proporcionava. Hoje a indústria tem que diversificar mais ainda os seus modelos de renda, trabalhar com várias fontes ao mesmo tempo. E ter noção de que ela não vende CDs ou DVDs, mas experiência musical e visual. Acredito que o streaming seja uma alternativa para a indústria, pois ela pode ter mais controle sobre como o seu conteúdo é distribuído. Mas a alternativa mais vantajosa para a indústria combater a “pirataria” ainda é lutar com as mesmas armas, fornecer o conteúdo de graça na rede com uma interface amigável e a mesma ou uma maior facilidade em relação aos ‘sites piratas’ “.

“[acredita que com todas as mudanças provocadas pelo digital estamos de alguma forma vivendo uma ‘democratização’ da cultura?] “Democratização” é uma palavra meio difícil e que dá margens a muitas interpretações. Acredito que temos mais portas abertas. Mas a partir disso, considerar que todas as pessoas vão ter o mesmo espaço e atenção é um pouco romântico e utópico. A democracia pura não funciona, não é à toa que existe uma meritocracia na web e em seus principais expoentes – wikipedia, twitter, blogs etc. Sem contar que não podemos esquecer que o conteúdo é abundante, mas o bom senso e o talento ainda são duas coisas escassas“.

* foto de flickr.com/helenan

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‘Para mim e para uma geração inteira, a internet é a possibilidade de existir no mercado’, diz O Teatro Mágico

14 10 2009

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Fundado em 2003, O Teatro Mágico é um conjunto independente até hoje: nunca assinou com gravadora e se tornou conhecido pela rede. O grupo de Osasco já lançou dois CDs e um DVD, produzidos pela própria banda, e vendeu cerca de 85 mil cópias (os álbuns são sempre vendidos a preços entre R$ 5 e R$ 15). O Teatro disponibiliza suas músicas (de graça) no site da Trama Virtual, mantém um site que tem uma loja com camisetas e itens para os fãs, além de um perfil no MySpace, no Twiiter e no YouTube. A trupe, que têm acrobatas, palhaços, e claro, músicos, foi nossa décima quinta entrevistada.

O Teatro Mágico | Parque da Uva

*foto de flickr.com/alexandrechang

Para mim e para uma geração inteira de músicos, atores, artistas plásticos, produtores culturais a internet é a possibilidade de a gente existir no mercado. Até então, a gente precisava do bom humor de alguém de uma rádio, da televisão para colocar você alguns minutos no meio de uma programação furada. Na verdade, a internet é uma maneira democrática de tornar acessível os bens culturais a todas as pessoas e isso só traz benefícios para quem é músico a alcançar outros patamares, outro público e muitas vezes a gente jamais conseguiria”, disse Fernando Anitelli em entrevista por telefone.

O ser humano é assim, ele compartilha coisas que ele acha interessante, conceitos novos, isso é natural. Agora querem criminalizar esse hábito, isso não faz nenhum sentido, isso é incoerente. Então, para muitos autores novos a internet passou a ser um campo onde você pode minimamente gravar as idéias do seu trabalho, pode montar seu blog, pode ter sua biblioteca de fotos, de vídeos, tudo isso de maneira gratuita. Hoje, o artista tem que aprender a ser o gestor da sua própria obra, tem que parar com esta coisa de que a gravadora vai aparecer com um sapatinho de cristal e vai colocar o cara em um programa dominical para fazer sucesso. Isso não existe. O artista tem que trabalhar diariamente com seu público para fazer um trabalho com bom conteúdo, para ter o que colocar, o que falar, o que debater“.

“A gente está encabeçando um movimento de MPB, que é um movimento de Música Para Baixar e que propõe uma flexibilização na questão dos direitos autorais, mas o autor não perde o direito autoral dele. A gente tem que brigar para que ninguém seja taxado para ouvir uma música, inclusive eu sou taxado para tocar a minha música. Porque hoje, o ECAD multa O Teatro Mágico se não avisarmos com 15 dias ou 1 mês de antecedência onde vamos vai estar e quais músicas vamos tocar. Então, se o público pede um bis de uma música que eu não classifiquei, se eu tocar estou cometendo um crime. Quer dizer, um crime comigo mesmo porque eu estou tocando minha própria música. Isso é um absurdo, uma postura equivocada das instituições que se traduzem como defensoras dos músicos e da produção cultural no país. A gente quer ter a chance de debater e formar e informar novos consumidores da música, novos produtores de cultura, é isso”.

“Eu já fiz parte de uma gravadora, há uns 10 anos e caí no conto do vigário porque disseram que eu poderia gravar meu material e minha música tocaria nas rádios, o que não era aquilo. Quando a gente estava gravando a oitava música, o dono da gravadora veio e falou: ‘grava tudo agora em formato de forró, que a moda é essa’. Eles estavam preocupados com o dinheiro, só isso. Enquanto no final da ponta tinha alguém preocupado em conceber uma música, uma experimentação traduzidas com poesias, arranjos e musicalidade. Então, hoje o músico pode ter muito mais liberdade no seu trabalho, muito mais autonomia na concepção das suas coisas, na divulgação, ele é capaz de conhecer seu público, criar comunidades para isso”.

Quem cuida do artista é o próprio público. O maior tesouro do artista é o público. Nos dias atuais, como sempre deveria ter sido, o artista tem que ficar frente a frente com o público. Tem que conversar e fazer o trabalho de formiguinha. Até hoje quando O Teatro Mágico vai a alguma cidade, a gente conversa com uma rádioweb, vai na rádio de faculdade, fala com fanzine, com comunidade local, com a Globo, com o SBT. A gente também não pode deixar de se articular nos meios, nas mídias já convencionais. Até porque são concessões que o estado fornece, ou seja, de uma certa maneira isso tudo já é nosso e deveria ser trabalhado para o público, mas não é isso que acontece”.

“[a troca de arquivos não é pirataria] O fã não é pirata. A música é livre, não é caridade, não é doação, é acesso aos bens culturais. A pirataria é pegar o seu trabalho e revender por um preço menor e aí a sacanagem começa. O Teatro Mágico tem sua música livre na internet, mas vende CD por R$ 5 (com um encarte melhorado por R$ 10) e o DVD por R$ 15. E a gente tem a prova que as pessoas baixam de graça na internet e quando vão no show compram o material, eles sabem que o músico precisa daquilo. Além do que, aquilo não está sendo empurrado goela abaixo para ele. Fã é o divulgador, o co-produtor que vai sempre nos ajudar num momento difícil. É o público que vai dar sobrevida para o artista. A gente tem que valorizar justamente essa ponta da cadeia produtiva e não a gravadora que tem um monte de dinheiro e está interessada em fazer mais dinheiro”.

“A música não pode ser só um produto, ela é um presente de celebração, ela é algo muito mais mágico e imaterial que estão imaginando. Então, tratar a música como um pedaço de cadeira, que é um objeto que você usa, gasta e aquilo morre, está equivocado porque quanto mais se ouve a música, mais ela se torna famosa. O cara que trabalhava fazendo o marketing do nazismo disse que uma mentira contada mil vezes se torna uma verdade. Num paralelo com a música, uma música ruim tocada mil vezes se torna um sucesso. Você acaba acreditando que o que tem de cultura no nosso país é isso que estão mostrando. Então a gente tem que parar com essa comodidade de achar que o que é colocado para a gente é o que nos resta, o que nos sobra, porque não é isso”.

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‘A maioria das práticas de hoje coloca as pessoas na ilegalidade e transforma a criatividade juvenil em pirataria’, diz André Lemos

5 10 2009

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

André Lemos é PhD em sociologia e professor da Universidade Federal da Bahia. É pesquisador da área e autor dos livros ‘Olhares sobre a Cibercultura’, ‘Cibercultura’, entre outros títulos. Lemos mantém um site e também uma conta no Twitter e acredita no potencial de transformação que as ferramentas digitais vão trazer para o mercado cultural. Ele foi nosso décimo quarto entrevistado.

Andre Lemos

A gente tem hoje dois sistemas funcionando em extensão, um que é a indústria cultural clássica, passiva, que tem um processo de adequar produtos a uma massa de espectadores, ouvintes, e outro que é um processo mais conversacional, transversal, de baixo para cima, que está provocando algumas mudanças e reações na indústria. Eu acho que para o usuário e para o produtor, artista, músicos em geral, esses sistemas são muito positivos porque oferecem duas instâncias, uma mais passiva e outra mais aberta, mais tranversal em que se tem a possibilidade de controlar todo o processo produtivo, não sendo apenas um receptor, mas também um produtor ativo de conteúdo. Eu vejo para a paisagem comunicacional e para a cultura contemporânea um avanço considerável porque essa tensão é benéfica para todos”, disse em entrevista feita por telefone.

“Antes se comprava um LP, um CD todo, agora você pode comprar uma música e isso já agrega uma adaptação aos novos tempos. A partir do momento que a maioria das práticas exercidas hoje no mundo coloca as pessoas na ilegalidade, marginalidade e transforma a criatividade juvenil em pirataria é porque alguma coisa está errada. Você não pode transformar toda uma população de usários em marginais. Se isso acontece é porque tem alguma coisa esquisita, elas [as empresas] têm condições, dinheiro e massa cinzenta para buscar novas alternativas. Não querem fazer isso ainda porque isso significa uma mudança efetiva na margem de lucro, nos negócios, mas a longo prazo, acredito que vamos ver aparecer por aí muitos formatos diferenciados, como já vemos algumas gravadoras virtuais, editoras de livros de ebooks, essas coisas começam a aparecer e mostram esse impacto”.

“Em todas as áreas estamos tendo mudanças, talvez na área da música e na distribuição de imagens tenha sido com mais impacto. Mas no fundo, eu acho que o que caracteriza essas transformações é a possibilidade de as pessoas poderem produzir, de consumir, distribuir informação. Isso é a base e é o que está na estrutura da rede. Esse poder de produzir obras com a participação e colaboração de outros, que era o mais complicado e difícil”.

“[Os artistas devem] tentar utilizar ao máximo os dois sistemas. Eu não tenho uma visão muito purista de achar que você tem que partir para um lado totalmente alternativo. Eu acho que a depender da sua colocação no universo onde você insere (vídeo, música, cinema) é importante, assim como transitar por todos os sistemas, desde uma grande gravadora até disponibilizar suas músicas em sites sociais e criar seu nicho. Eu acho que o artista começando hoje deveria atacar em todas as frentes, tentar todas as frentes e saber o que se pode ganhar em cada uma delas. O sistema mesmo vai tentar se organizar a partir desta dinâmica, é importante que tenham pessoas que possam disponibilizar as suas obras de maneira mais livre e participativa, mas que também possam viver da sua obra, seja com shows e outros produtos agregados a sua obra. Acho que o artista hoje tem muito mais possibilidades de fazer valer seu trabalho do que quando ele era centralizado por uma indústria que não poderia acolher a todos. Hoje, com essas plataformas, você tem a possibilidade de existir e viver do seu trabalho“.

As mídias nunca são universais. Quando se fala em democratização, se pensa em universalização do acesso. De forma comparativa, a internet é muito mais democrática que os outros meios porque ela permite que você produza e distribua informação livremente com poucos recursos e sem concessão do Estado. Hoje se pode ter um veículo de comunicação usando um local público, pagando pouco ou tendo essas ferramentas em casa. Obviamente ela não é universal por causa do acesso, que ainda é um problema em vários países, inclusive no Brasil. O tempo que a internet demorou para atingir 50 milhões de usuários foi muito mais rápido que as outras mídias demoraram para fazer o mesmo. Temos aí um processo que temos que aproveitar politicamente e socialmente também. Num país como o nosso, carente de muitas coisas, essas tecnologias são importantes para dinamizar a cultura e a economia”.

* foto de flickr.com/lufreitas

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‘O livro nunca foi produto de consumo de massa – ao contrário da música ou do cinema’, diz Cardoso

2 10 2009

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

André Czarnobai, ou Cardoso, é autor do livro ‘Cavernas & Concubinas’, lançado em 2005 pela DBA Editora. O escritor e jornalista desempenha multifunções: é consultor criativo (ajuda empresas a desenvolverem produtos de comunicação para internet, filmes, TV, revistas), roteirista, produtor musical, co-fundador (com Daniel Galera) do CardosOnline (fanzine que circulou por email entre 1998 e 2001, e que também revelou nomes como Clarah Averbuck e Daniel Pellizzari). Cardoso, que afirmou ter usado a internet em 99% do tempo em “EMPIRISMO FREESTYLE”, pode ser acompanhado em seu site, blog e no Twitter. Ele foi nosso décimo terceiro entrevistado.

Cardoso
*foto de divulgação

A internet, na verdade, serve como um grande POTENCIALIZADOR: encurta distâncias, aumenta a rede (de consumidores, divulgadores e comparsas) e reduz radicalmente o tempo necessário para que as coisas aconteçam. Mesmo assim, prefiro acreditar que, independente da internet, as mesmas coisas acabariam acontecendo na minha vida – mas provavelmente demorariam bem mais para acontecer. Não posso dizer que o uso da web foi algo totalmente intencional porque comecei a usá-la justamente quando ela surgiu comercialmente no Brasil, por volta de 1996-97. Eu não tinha a idéia do que aconteceria – ninguém tinha. Ao longo dos anos, em um ou outro momento, é evidente que fiz um uso mais consciente de algumas de suas ferramentas visando algum objetivo bem específico, mas em geral te confesso que 99% das coisas que fiz foram embebidas do mais puro EMPIRISMO FREESTYLE”, disse em entrevista por email e seguindo seu estilo literário, Cardoso nos respondeu usando Caps Lock, de acordo com sua preferência.

“[As mudanças que o mercado editorial vem passando são] muito mais positivas que negativas! Mais gente lê e mais gente escreve: exatamente dois pré-requisitos fundamentais para que exista um mercado editorial. Dois dados interessantes sobre a Companhia das Letras, uma das principais editoras do país: em 2008 ela bateu seu próprio recorde de vendas, número que já foi superado em incríveis 13% só nesses primeiros 9 meses do ano. Ou seja, contrariando todas as expectativas, o mercado editorial está se fortificando. Quanto ao escritor ter mais liberdade ou poder, em relação especificamente às editoras acredito que isso não acontece. Nesse sentido a relação não mudou praticamente em nada. Quer dizer, editores ainda recebem, avaliam e (na maioria das vezes) recusam originais que chegam às suas mãos encadernados – não via e-mail ou links. Fora isso, a grande verdade é que liberdade o escritor sempre teve. Poder, talvez nunca (ou quase nunca). A literatura nunca foi um hábito de massa em nenhuma cultura O que o escritor de hoje realmente tem de diferente do escritor de 20 ou 30 anos atrás são duas coisas: 1) um número muito maior de veículos para sua obra, sejam blogs, sites literários, revistas, jornais ou editoras independentes; 2) facilidade muito maior de estabelecer e manter uma rede de contatos, tanto entre leitores como entre outros escritores. . Pode parecer pouca coisa, mas é o que faz toda a diferença. O resto é ilusão, afobação ou mau-caratismo”.

Os verdadeiros artistas não planejam suas carreiras. Eles simplesmente fazem aquilo que devem fazer. Um escritor vai criar um blog, abrir uma conta no twitter, imprimir 300 cópias de um livreto numa gráfica expressa, pendurar 50 cartazes nas paradas de uma determinada linha de ônibus. Fazer disso uma carreira não é o trabalho de um artista. A carreira vai sendo construída (ou não) ao longo da vida. A importância do fã, agora, é a mesma de antes. O que mudou aqui não foi a importância, apenas a relação. Hoje, um fã pode facilmente virar amigo do seu ídolo – e isso é muito ducaralho”.

“Troca de arquivos não é pirataria. Pirataria, pra mim, é apropriar-se de algo que não é seu e explorá-lo em busca de LUCRO. Ou seja, se eu baixo um filme que ainda não saiu no cinema, o assisto e até compartilho, não acho que isso seja pirataria. Se eu realmente gostar do filme, isso pode me levar a comprar um DVD com extras ou até mesmo ir ao cinema para vê-lo novamente numa tela maior, com um som mais legal. Mesmo se eu compartilhar esse arquivo numa rede p2p e outras 300 ou 400 pessoas tiverem acesso a ele, não acho que isso seja ruim para a indústria e para o artista. Pelo contrário: amplia a divulgação. Foda é o cara baixar um filme, fazer 500 cópias e vender a R$ 10 por aí”.

“[A cultura tem sido democratizada] sem sombra de dúvida. Mas não só pela natureza da internet em si: acho que essa democratização – ou seja, essa possibilidade de participação efetiva do POPULACHO – vem muito mais de uma política responsável de inclusão digital que qualquer coisa. Isso se traduz na queda dos preços de computadores, instalação de pontos de acesso e proliferação de lan houses, inclusive e principalmente nas periferias brasileiras (só na comunidade de Heliópolis, em São Paulo, hoje são mais de 400)”.

“O público de literatura é muito diferenciado, e quando compra um livro na verdade adquire um pacote que vai além do conteúdo. Não dá pra comparar a literatura com a música e o cinema. São coisas muito diferentes, vendem produtos muito diferentes e têm públicos muito diferentes. Se na música existem uns poucos puristas que preferem ouvir seus discos de vinil e o cinema conta com uns heróis que fazem questão de freqüentar salas que usam projetores de película, a esmagadora maioria do público da literatura é afeita de todos os pormenores e rituais associados à leitura. Em outras palavras: quem gosta de ler em geral gosta não apenas do CONTEÚDO, mas também da FORMA. O cheiro do livro, a arte da capa, a MANCHA gráfica – e também a possibilidade de sentar embaixo de uma árvore, no assento de um avião ou até mesmo numa privada e apreciar a leitura. Além disso, há a questão do livro nunca ter sido produto de consumo de massa – ao contrário da música ou do cinema. Literatura sempre foi um mercado de nicho – um modelo que tende a se fortalecer nesse cenário fragmentado da era da internet. Em tempo: recentemente o TorrentFreak divulgou a lista dos 10 livros mais compartilhados via redes p2p de janeiro a setembro de 2009 – o único título de ficção era a série TWILIGHT. A série infanto-juvenil sobre vampiros aparecia em sétimo lugar, e isso nem de longe abalou suas vendas em todo o mundo – na casa dos MILHÕES. Resumindo: escritores não tem nada a temer”.

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