‘O avanço da tecnologia sempre provoca reações estúpidas’, diz Cláudio Prado

15 09 2009

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Cláudio Prado é coordenador do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital e ex-coordenador de políticas digitais do Ministério da Cultura, durante a gestão de Gilberto Gil. No final dos anos 1960, Prado foi estudar pedagogia na Suíça, mas preferiu ser hippie em Londres e descobriu os melhores endereços de rock na cidade. Foi guia dos então exilados Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros baianos, pelo mundo underground londrino. A experiência fez dele, no Brasil, produtor de shows e de bandas como os Mutantes, a Cor do Som e os Novos Baianos. Mais tarde ele foi seduzido pelas novas tecnologias, em especial a internet. Ele foi nosso terceiro entrevistado.

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FOTO DE FLICKR/GALERIACONVERSE

“O avanço da tecnologia sempre provoca reações estúpidas. Há coisas que são destruídas com o avanço de qualquer tecnologia e possibilidades que se abrem. E aí você tem gente reacionária, careta sempre. Para você ter certeza que um avanço vai colar, vai funcionar na sociedade, precisa haver reação contra, se não houver, aquela inovação é uma merda. Se houver, aquela invenção tem certa validade. Então, sempre tem um cara que diz que uma tecnologia vai matar outra e assim vai indo. E essa avaliação está correta, porque têm coisas que acabam”, afirmou Prado em entrevista na sala de sua casa.

E continuou: “O exemplo que eu acho legal é do cara que fazia mastros de navios na grande época das navegações. O mastro era a parte mais complexa e era a única que não podia quebrar, o resto podia ser consertado a bordo. O cara que fazia o mastro era o mais rico, era a instituição mais forte. O que aconteceu com esse cara com o advento do motor à vapor? Historicamente, foda-se. Pode até ser um drama o que aconteceu com ele, a sua decadência, a situação ali você pode até entender, mas historicamente foda-se. E tem mais uma coisa: o cara do mastro não foi o cara que inventou o motor à vapor. Deveria ser se ele soubesse realmente fazer navios andarem mais rápido, ele teria tentando inventar o motor à vapor. Mas ele se estabeleceu em cima do “know-how” que ele tinha que era fazer mastros. Não foi o cara da máquina de escrever que inventou o computador, devia ser porque o computador foi inventado (ao menos, no início) para se escrever mais rápido.”

E concluiu: “O avanço [tecnológico] é fantasticamente positivo em relação a um milhão de coisas e terrivelmente negativo em outro milhão. Depende do ângulo que você olha. Particularmente, acho maravilhosas as possibilidades de democratizar acesso e eliminar intermediários que não agregam valor. O grande lance da internet é autonomia de encontrar modelos e descobrir o seu jeito de fazer as coisas.

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