‘(No futuro) talvez os escritores comecem a fazer shows’, diz escritora Ana Paula Maia

14 09 2009

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Ana Paula Maia é escritora, autora dos romances ‘O Habitante das Falhas Subterrâneas’, ‘A Guerra dos Bastardos’ e ‘Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos’ (editora Record). Em 2006 publicou o primeiro folhetim pulp da internet brasileira em 12 capítulos. Tem contos publicados em diversas antologias e mantém um belo blog. Ela foi nossa primeira entrevistada.

anapaulamaia
Reprodução

“A música é algo abstrato, 100% impalpável. Não importa o meio de se escutar. O livro é um objeto, e por mais que você o imprima numa folha A4 e o encaderne, a leitura não é tão agradável assim. Ler na tela do computador ainda é uma questão de tempo para a grande maioria. (No futuro) talvez os escritores comecem a fazer shows também (assim como os músicos, que tem nos shows, uma fonte de renda alternativa). Afinal, eventos literários são uma espécie de espetáculo, não?“, escreveu Maia, em entrevista por email.

“(Para mim) a internet primeiramente teve importância como fonte de pesquisa e informação. Em um segundo momento, importância para divulgação da minha literatura, que se deu inicialmente em trocas de emails com outros escritores. Criei meu blog no final de 2006, três anos após publicar meu primeiro romance e só tive a ganhar com minha inserção na web”, disse.

”(A internet e as novas tecnologias) são mudanças positivas para quem quer publicar e divulgar seu trabalho. O escritor tem mais oportunidade de se mostrar. Porém, nem tudo que é muito acessado na internet é sinônimo de qualidade. Hoje o escritor não precisa ficar esperando pela editora, ele se lança. Sinceramente, publicar sempre foi difícil. Alexandre Dumas e Machado de Assis passaram por folhetins em jornais antes de serem publicados. Precisaram de aprovação prévia dos leitores”, afirmou.

“Publiquei o meu primeiro romance “O habitante das falhas subterrâneas”, em 2003, pela editora 7 Letras. O caminho foi o tradicional: enviar o livro para a editora. Dividi os custos da edição com a editora, pois era assim que eles trabalhavam com a maioria de seu autores. Não sei se ainda funciona assim”, contou.

E continuou: “(Mas) não sei como se deve planejar uma carreira, pois isso é pessoal. Cada um funciona de uma maneira. Não há como mostrar o caminho das pedras. Mas ser determinado e não ser arrogante é um bom começo. Detectar seus pontos fortes e fracos. Estabelecer uma meta para o que se quer.”

Sobre P2P, ela disse: “Não acho que essas trocas (na internet) sejam pirataria, pois não são comercializadas, e sim compartilhadas. Compartilhar não é crime. É claro que podemos pensar que compartilhar o que não é nosso é crime. Talvez até seja, não sei. Mas acho que pirataria é um produto ser vendido ilegalmente, revertido em dinheiro. Talvez um dia o conhecimento compartilhado entre as pessoas seja considerado pirataria.”

E concluiu: “Acho que (o que estamos vendo) é uma democratização da informação. Cultura é algo bem diferente. Pessoas informadas, não são necessariamente cultas. E se você se refere a cultura como ações e práticas sociais regidas por determinismos no espaço, o que identifica uma sociedade, acho que novamente caímos na questões de trocas de informação e novos conhecimentos.”

Leia também:
Enter – Antologia Digital
De Carne e Osso – Revista Trip
Há vida literária na web, dizem escritores na Flip – Jornalistas da Web

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