‘Todo cineasta interessante está de olho na internet’, diz Cacá Diegues

23 09 2009

Por@brunogalo e @livia_wachowiak

Carlos Diegues é cineasta e ajudou a fundar o Cinema Novo na década de 50, no Brasil. Cacá, como é conhecido, filmou com outros diretores o famoso ‘Cinco Vezes Favela’ (1962), que traz diferentes situações passadas nestas comunidades. Atualmente, Cacá coordena o novo ‘Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos’, que vai trazer histórias criadas e realizadas por moradores de favelas do Rio de Janeiro. Esses jovens cineastas foram selecionados em cursos dados pelo próprio Cacá, Nelson Pereira dos Santos, Fernando Meirelles, Walter Salles e outros. A estreia do filme está prevista para o ano que vem. Carlos Diegues participou da resistência contra à ditadura militar, lançou muitos curtas e mais de 15 longas como ‘Deus é Brasileiro’, ‘Orfeu’, e ‘Tieta do Agreste’. Cacá possui um blog, em que novidades e entrevistas dadas pelo cineasta são colocadas. Ele foi nosso oitavo entrevistado.

Caca Diegues

“Baixar um filme é muito mais complicado do que baixar um livro ou uma música, mas o cinema vai pelo mesmo caminho irreversível. Aliás, já está indo através de iniciativas pioneiras, tanto na indústria (Disney, Warner e outras majors já têm seus serviços de download), assim como nas formas alternativas (como, por exemplo, o Creative Commons)”, disse por email.

“Todo cineasta interessante está de olho na internet. O YouTube, por exemplo, é um ninho de artistas que estão se multiplicando através dele e de outros serviços semelhantes. Um dos cineastas mais interessantes da nova geração, o paulista Esmir Filho, destacou-se e foi descoberto pelo público através de seu curta ‘Tapa na pantera’, postado há uns poucos anos. Hoje ele está no seu segundo longa-metragem, com muito sucesso”.

“A internet fragmentou a globalização. Isso quer dizer que continuamos a nos manifestar em tempo real para o mundo inteiro, mas essas manifestações não são mais espuma de uma mesma onda. Ao contrário do que se pensava na época de McLuhan, isso está destruindo a possibilidade de concentração na mão de uns poucos poderosos. Na economia do cinema, isso é uma novidade real”.

“A pirataria não é uma questão policial, e sim social. Ela é o resultado da maior agilidade, vontade e velocidade do consumo do que da produção. Nós temos que descobrir um modo de adaptar-nos a essa realidade e não continuar insistindo em simplesmente tentar bloqueá-la à força. Nenhuma lei no mundo é capaz de acabar com uma necessidade social”.

“É claro que sim [a cultura está sendo democratizada]. Hoje não se produz mais audiovisual apenas nos países centrais da Europa Ocidental e da América do Norte, como no passado, mas em todas as nações do mundo, de todos os continentes. Mais do que isso, não são apenas as elites culturais ou sociais desses países que o produzem, mas as mais diferentes camadas sociais de cada um deles. Como nas favelas e periferias brasileiras”.

* foto de flickr/deharris

Leia também:
5 Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos


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